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FESTIVAL

O foco do Arquivo em Cartaz é a valorização dos acervos audiovisuais e da memória do cinema nacional. Criado em 2015 pelo Arquivo Nacional, o evento dá continuidade ao festival anterior, o Recine, também organizado pela instituição entre 2002 e 2014. O objetivo do festival é destacar a importância da preservação e do acesso aos acervos audiovisuais e sonoros, assim como incentivar o uso destes arquivos em novas produções. Este ano o festival também mira o presente em suas diversas iniciativas: as oficinas, exibições de filmes, debates e trocas de experiências sobre preservação, pesquisa e produção audiovisual com material de arquivo, serão virtuais e abertas às interações em tempo real.

 

São mais de quarenta filmes disponibilizados durante todo o festival, entre curtas, médias e longas, nacionais e internacionais, divididos nas mostras: Competitiva, Homenagem, Acervos (Especial Sessão ABPA), Lanterna Mágica, Arquivo Faz Escola e Arquivos do Amanhã. A homenageada desta edição é Suzana Amaral, cineasta e produtora brasileira. O festival também terá debates e conversas com pesquisadores, além de oficinas dedicadas à preservação e realização de filmes e conservação de arquivos sonoros.

 

TEMA

Memórias do tempo presente – registros da pandemia

 

Na busca por registrar as marcas do tempo histórico vivido, ainda em curso, o Arquivo Nacional do Brasil trabalha de maneira ativa para jogar luz e debater as transformações da vida em sociedade. 

 

Marcado no tempo pela dimensão de nossas perdas, o ano de 2020 não será esquecido. Separados por um novo vírus, no distanciamento social, sons e imagens se tornam uma potente forma de proximidade, de afeto, de denúncia, de espanto, de esperança. Explodem como registro e forma de expressão, de cuidado e atenção. São a representação dos novos arranjos sociais impostos pela pandemia e se tornam os arquivos da experiência vivida. Serão estudados e debatidos no futuro, servindo  também ao presente.

 

Vendo e ouvindo a nós mesmos e aos outros, tomamos dimensão do que enfrentamos e encontramos novas formas de lidar com o inesperado. Buscamos sobreviver e reinventar: na ciência, na cultura, no trabalho, nas relações afetivas. O verdadeiro e o falso. Aquilo que realmente nos serve e importa quando tudo está ameaçado. 

 

Em homenagem àqueles que se foram, mas também àqueles que ficaram, o Arquivo em Cartaz se transformou em 2020, assumiu dimensão virtualizada e abriu suas ações para receber, debater e exibir também as memórias do tempo presente.
 

Convidamos todos para participar deste movimento pela memória presente em respeito à trajetória individual e coletiva no enfrentamento à pandemia. Participe do Arquivo em Cartaz – Festival Internacional de Cinema de Arquivo, edição especial 2020 – Memórias do tempo presente – registros da pandemia.

HOMENAGEM 

Suzana Amaral   

 

Suzana Amaral (1932-2020) foi uma das grandes cineastas e roteiristas brasileiras. Sua trajetória teve início quando ela ingressou no curso de cinema da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP) em 1968. No início da década de 1970, trabalhou na TV Cultura como produtora e diretora de diversos curtas-metragens para o programa Câmera Aberta, além de ministrar aulas de fotografia e roteiro na ECA. 

Decidida a fazer ficção, Suzana obteve uma bolsa de mestrado em cinema na New York University. Durante o período em que morou nos Estados Unidos, desenvolveu o projeto para o documentário participativo Minha Vida Nossa Luta, sobre a organização das mulheres na periferia paulistana. Vencedor do prêmio de melhor média-metragem no Festival de Cinema de Brasília, o filme, segundo Suzana, está na raiz do movimento pró-creche na cidade de São Paulo.

Sua estreia no cinema de ficção aconteceu de forma brilhante em 1985, com a adaptação cinematográfica da obra-prima literária de Clarice Lispector A hora da estrela. O longa-metragem homônimo, exibido em mais de 25 países, foi sucesso de crítica e ganhou vários prêmios nacionais e internacionais – no Festival de Brasília, em Havana e no Festival de Berlim, onde recebeu o prêmio da crítica para Suzana Amaral e o Urso de Prata de melhor atriz para Marcélia Cartaxo. Sua obra é marcada pelo encontro da literatura com o cinema, seus dois últimos longas, Uma vida em segredo (2001) e Hotel Atlântico (2009), foram “transmutações” – conceito desenvolvido pela própria cineasta para explicar a recriação de livros em filmes – dos romances de Autran Dourado e João Gilberto Noll, respectivamente.

 

Em 2009, o Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro (CPCB) restaurou o filme A hora da estrela, que se encontrava em estado de deterioração. O projeto para recuperação do material fílmico, patrocinado pela Petrobras BR e incentivado pelo Ministério da Cultura, dispôs de uma equipe coordenada pelo restaurador Francisco Sérgio Moreira (1952-2016) e pôde, finalmente, voltar às telas. Uma cópia do filme restaurado pelo CPCB integra o acervo do Arquivo Nacional. Sua restauração torna possível a exibição do longa durante a programação do Arquivo em Cartaz – Festival Internacional de Cinema de Arquivo 2020 e contribui, sobremaneira, para a preservação de nossa cinematografia.

 

Suzana Amaral faleceu em junho de 2020 aos 88 anos, deixando um grande legado fílmico produzido ao longo de mais de cinquenta anos de carreira. Neste ano de tantas perdas, o Arquivo em Cartaz homenageia esse grande nome do cinema brasileiro.

 

REVISTA

A revista Arquivo em Cartaz foi projetada já na primeira edição do Arquivo em Cartaz – Festival Internacional de Cinema de Arquivo, em 2015, como uma de suas diversas iniciativas. No entanto, edições dedicadas ao cinema de arquivo e aos arquivos audiovisuais e sua preservação são concebidas pela instituição desde 2003. A revista Acervo, volume 16, número 1, de 2003, reuniu textos, pesquisas e entrevista sobre imagens em movimento. 

 

De 2004 a 2014, o Arquivo Nacional editou a revista Recine, periódico relacionado ao seu antigo festival internacional de cinema de arquivo e que discutiu, a cada ano, em suas dez edições, os temas Revoluções; Televisão – Uma História para Ver de Perto; Vanguardas no Cinema; A Imprensa no Cinema; Futebol, Cinema e Paixão; Rádio e Cinema em Sintonia; Luz, Câmera – A Música Brasileira; Brasil e Itália em Tempo de Cinema; A Arte do Humor no Cinema; Rio de Janeiro, Capital do Cinema; Com a Palavra, o Cinema. 

 

A primeira edição da revista Arquivo em Cartaz foi dedicada aos 450 Anos do Rio de Janeiro, seguida pelos 100 Anos do Samba, em 2016 e Filmes de Família, Caseiros e Amadores, em 2017. Apenas em 2018 não foi editada, mas, já no ano seguinte, a publicação foi retomada, com o tema Mulheres de Cinema. 

 

No ano de 2020, marcado pela crise sanitária que se instalou mundialmente, dimensionado pelas inúmeras perdas causadas por um vírus até então desconhecido, o Sars-CoV-2, e pela reinvenção de nossas vivências cotidianas, a revista Arquivo em Cartaz volta seus esforços para entender o impacto dessa pandemia em nossos registros, produções, imagens e no trabalho com arquivos. Diante deste desafio, o tema desta sexta edição da revista é Memórias do tempo presente – registros da pandemia. 

 

Em um cenário de poucas publicações voltadas para o cinema de arquivo e a preservação audiovisual, a revista oferece conteúdo essencial para quem deseja se aprofundar nesses temas. Boa leitura!

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